Coisas de Naele

Archive for novembro 2008

            A suma do que foi descrito é que o relacionamento da Igreja com o Espírito Santo só é infrutífero por falta da percepção correta da Sua pessoa.

            É como um círculo que tem seu início no mau entendimento da personalidade do Espírito, sem a qual é impossível discernir Sua deidade, que por sua vez, sem a mesma é impraticável uma vida cristã centrada no crescimento que só Ele pode operar.

 

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3º desvio

Não conhecer a missão do Espírito Santo

 

            Muito mais que não entender que o Espírito Santo é uma pessoa e divina, talvez o maior dos erros dos cristãos modernos é não conhecer qual é Sua missão na vida do indivíduo. Esta missão possui vários aspectos, os quais ver-se-ão a partir de agora e onde a Igreja tem falhado em compreendê-los e aplicá-los em seu relacionamento diário com o Espírito de Deus.

            O primeiro aspecto é o da habitação. A Bíblia declara em I Co 6:19 que o corpo do crente é o templo do Espírito e em Jo 14:7 que o mesmo está no crente, habitando nele.

            Conta uma estória que havia um homem que morava numa casa, mas não podia fazer nada com ela, porque ela tinha vida própria. Quando ele queria ornamentá-la, ela não deixava, pois reclamava dos pregos que entrariam em suas paredes. Quando ele queria aumentar alguns cômodos, ela impedia, pois não queria ficar maior. Quando ele queria lavá-la, ela não gostava, pois dizia que a água umedecia demais o seu interior. Este homem se cansou tanto de tentar fazer coisas para melhorar a casa que passou a dormir mais, passava dias dormindo. Até que um dia, após vários meses dormindo, ao despertar no jardim da casa olhou pela janela e a viu cheia de pessoas desconhecidas que a dominaram e pregavam pregos em todas as paredes e de qualquer maneira, construíam cômodos e mais cômodos que só a deixavam mais feia e não a limpavam como ele fazia, a sujeira estava por todo lado.

            Esta estória serve para ilustrar o que o cristão faz com o Espírito Santo. Ele é a casa e o Espírito é o morador, mas tudo o que o morador quer fazer a casa impede. Muitos crentes ainda não entenderam que devem estar submissos à vontade do Espírito Santo e não vice-versa. Somente o Espírito de Deus tem capacidade para saber o que é bom ou ruim.

            O segundo aspecto da missão é purificação. Em I Ts 5:19, a ordem do apóstolo Paulo é bem clara: “Não extingais o Espírito.” A palavra extinguir no original grego significa limitar, isto é, é impossível para o crente apagar o Espírito Santo, mas é possível limitar Sua ação. Como isto é feito? Recorrendo novamente às palavras de Langston:

“O Espírito Santo não regenera o indivíduo contra a sua vontade; e também ele não pode santificar-nos contra a nossa vontade. Precisamos cooperar intimamente com ele, dando-lhe a liberdade de fazer o que entender ser melhor em nossa vida.(…)O crescimento na vida cristã depende da vontade do crente.(…)O espírito cresce quando se faz força para crescer. É por isso que nos devemos entregar ao Espírito Santo, para que ele nos ajude a purificar a nossa vida e alcançar maior crescimento espiritual.” (LANGSTON, 1999).

          

Fica manifesto que quando o indivíduo não coopera com o Espírito Santo, sendo sensível à Sua voz de alerta nas tentações, obedecendo seus mandamentos ou ouvindo seus conselhos, inevitavelmente ele está limitando o Seu operar. É como o morador da casa que tinha vida própria da estória: de tanto ela impedi-lo de modificá-la, que ele pegou no sono e, sem ver o que estava acontecendo, foi expulso de dentro dela que foi tomada por pessoas que não tinham o mínimo de cuidado. Podemos comparar estas pessoas àqueles demônios  a que Jesus se referiu em Mt 12: 44,45.

            Quantos crentes têm sido humilhados, oprimidos e enganados por Satanás, porque vivem a limitar a operação do Espírito Santo!

            O terceiro aspecto é a oração. Esta é o meio pelo qual o Espírito Santo tem acesso ao mais íntimo do coração do crente. É também por não compreender corretamente o que é oração que o relacionamento de muitos cristãos com o Espírito de Deus tem sido frustrado. Imaginam que devem orar pedindo mais poder, mais prodígios e sinais, mas na verdade o que o crente deve pedir é que Deus retire os impedimentos à operação santificadora e purificadora do Seu Espírito.

            Além do entendimento errôneo acerca da missão do Espírito Santo, há também uma característica desta geração que é o imediatismo. Tudo é instantâneo, porém a ação de Deus não o é. Assim muitos vivem frustrados ou derrotados, por não saberem esperar o momento propício para o crescimento espiritual. Acreditam, por exemplo, que o fruto do Espírito descrito em Gl 5:22 e 23 surge de repente em suas vidas.

            Conclui-se que neste aspecto da compreensão da missão do Espírito Santo na vida de cada cristão, este não desfrutado mais do seu relacionamento com aquele por ignorar o seguinte fato: ele é morada do Espírito Santo, e como tal deve submeter-se à Sua vontade, não limitando sua ação, orando para que Deus o faça sensível à obra do Seu Espírito.

 

2º desvio

Não entender que o Espírito Santo é Deus

 

Outro erro da Igreja hodierna em seu relacionamento com o Espírito Santo é não entender que Ele é Deus. Além de versículos que declaram expressamente a Sua deidade, tais como II Co 3:18 e At 5:3 e 4, a Bíblia possui ainda outros versos que também o fazem. Tais versos descrevem atributos que são exclusivos de Deus ou ações que são unicamente divinas. Por exemplo, em Gn 1:2, Hb 9:14, I Co 2:9-11 e Sl 39:7-10 é relacionado ao Espírito Santo a criação, a eternidade, a onisciência e a onipresença.

Por não compreender tais verdades bíblicas, vários cristão têm considerado e tratado a Terceira Pessoa da Trindade como um ser de menos importância ou hierarquicamente submisso ao Deus Pai e Deus Filho. Muitos chegam a afirmar suas preferências pessoais com frases como essas: “Gosto de orar mais a Jesus do que a Deus, porque aquele é mais compreensivo do que este.” Ou “Prefiro orar ao Pai do que o Filho” ou “Entendo a Trindade desse jeito: Deus é meu Pai, Jesus o meu irmão mais velho e o Espírito Santo o poder dos dois em mim”.

Fica claro que o Espírito Santo ora nem é considerado, ora é entendido  tendo menos importância que as outras pessoas da Trindade.

Certamente a compreensão da Triunidade de Deus é complexa até mesmo para teólogos e letrados, mas isto não justifica para o cristão que detém a Bíblia ter em menos estima o Espírito Santo.

Isto também é evidência da má compreensão de textos bíblicos que relatam ações que só Deus pode fazer, como é o caso dos seguintes versículos: Sl 104:30, Rm 8:11, I Co 6:11, Lc 12:11 e 12  e I Co 12:8-11. Somente uma pessoa divina pode criar, ressuscitar, santificar o crente, ensinar como deve proceder e distribuir dons espirituais.

Além de tudo isso, deve-se lembrar que é possível pecar contra o Espírito Santo e não se ter o perdão. Veja o que diz Mt 12:31,32, neste texto fica claro que Ele não é meramente uma força, uma energia, um vento ou qualquer espírito, mas uma Pessoa contra a qual o homem não deve pecar ou blasfemar devido sua divindade ou santidade. Aliás como Seu  próprio nome já diz, Ele é Santo, um atributo exclusivo de Deus.

Finalmente, conclui-se que, no aspecto da deidade do Espirito Santo, a Igreja tem errado não porque ignora o fato de Ele é Deus, mas por não compreender as Sagradas Escrituras que ensinam sobre Ele.

Isto encerra um círculo vicioso: o crente não se relaciona corretamente com o Espírito Santo porque não sabe reconhecê-lo como uma pessoa que o guia à toda a verdade, que por sua vez é a Palavra de Deus que ensina quem é o Espírito Santo.

             Desde o Pentecostes, onde os primeiros discípulos de Cristo foram revestidos de poder para anunciar o evangelho, até os dias de hoje o relacionamento da Igreja com o Espírito de Deus passou por profundas mudanças.

            Ao longo da história, os crentes saíram da posição de dependentes do Espírito de Deus para manuseadores do poder divino.

Nas palavras de A. B. Langston:

Há uma grande diferença entre a idéia de fazermos muita coisa por meio do Espírito Santo e a idéia de o Espírito Santo operar maravilhas por nosso meio. A primeira idéia é pagã, exalta o homem acima do Espírito Santo. Quem lê a história sabe que os pagãos queriam que seus deuses os auxiliassem em todo empreendimento. (…) O homem é quem auxilia a Deus e não Deus ao homem.” (LANGSTON, 1999).

Mas tal coisa não seria possível, se os mesmos tivessem permanecido no ensinamento correto acerca da terceira pessoa da Trindade.

            Segue-se uma análise dos principais desvios doutrinários da Igreja que acarretaram nos erros de relacionamento da mesma com o Espírito Santo.

 

1º desvio

Não entender que o Espírito Santo é uma pessoa

 

            Os escritores da Bíblia afirmam em versículos tais como I Co 2:10 e 11, I Co 12:11, Rm 8:27 e Rm 15:30 características do Espírito Santo que são exclusivas de uma pessoa: saber, querer, propósito e sentimento. Tais propriedades são os definidores de um ser que é pessoal.

            Não entender tal coisa faz com que muitos cristão tenham uma vida medíocre e porque não dizer, sem sentido.

            Quando um crente não entende que o Espírito Santo sabe as coisas íntimas de Deus, não consegue descobrir qual o propósito do seu Senhor para sua vida, qual o entendimento correto das Escrituras, quais decisões tomar segundo a vontade do Pai e tantas outras riquezas que somente Ele pode ensinar. Como também não entender que o Espírito de Deus tem querer próprio, principalmente no que diz respeito à edificação da Igreja. Quantos erros teriam sido evitados, se a liderança destes tempos desse ouvidos ao que o Espírito quer fazer com seu povo? Ou quantos cristãos não estariam frustrados em seus ministérios, se tivessem entendido qual o querer do Espírito?

            E o que há de mais triste que pode acontecer num relacionamento entre duas pessoas, têm sido prática constante por parte dos cristãos modernos: não conhecer os sentimentos do Espírito.

A Bíblia é bem clara ao dizer que Ele ama e se entristece, mas quantos são os cristãos que têm uma vida de escravidão porque não sabem que são amados pelo Espírito. É comum testemunhar jovens casando apressadamente, muitas vezes porque querem encontrar no cônjuge o amor que não teve no lar. E até mesmo ver pessoas que vivem na prática de todo tipo de pecado, acreditando que somente se arrepender diante de Deus Pai , por medo do castigo eterno, é suficiente. Se esquecem que devem se arrepender diante do Santo Espírito por tê-lo feito se entristecer.

            Alguns cristãos desejosos de justificarem a Igreja em seu modo de se relacionar com o Espírito Santo asseveram que algumas descrições bíblicas acerca de suas manifestações não deixam claro sua personalidade. Utilizam versículos que nomeiam o Espírito Santo como vento, fogo, água, pomba e etc, mas tal empreitada explicita ainda mais quão distantes estão os cristãos do verdadeiro entendimento acerca do assunto.

            A Bíblia tem muito mais versículos que demonstram a personalidade do Espírito, tais como Ap 2:7, Rm 8:26, Jo 14:16 e Jo 16:12-14. Nenhum ser, que não seja uma pessoa, é capaz de falar, clamar, consolar ou guiar alguém. O vento, o fogo, a água, uma pomba não realizam tais ações, se tornando portanto, inconcebível a idéia de que o Santo Espírito seja tratado como tal pelos cristãos.

            Enfim, não reconhecer as características de uma pessoa no Espírito do Senhor tem feito com que a Igreja se relacione equivocadamente com o mesmo. Se é que se pode afirmar que a Igreja tem se relacionado com Ele, uma vez que uma das definições para a palavra relacionar é contrair amizades.

Olá pessoal,

A partir de hoje começarei a postar estudos bíblicos. Alguns são extensos, portanto vou dividí-los em capítulos.

Oro para que o Senhor fale ao seu coração e você seja edificado.

Um abraço,

Adriana Naele